Trajetória & Filosofia

A minha história

O meu nome é Joaquim Chuquela. Sou programador e empreendedor moçambicano, fundador e CEO da Lojou e da Kilax, e cofundador e CTO da ConBlue.

A minha ligação com a tecnologia não começou com acesso a grandes recursos, formação privilegiada ou um caminho perfeitamente definido. Começou com curiosidade.

Eu queria compreender como as plataformas funcionavam, como uma ideia se transformava num produto e como a tecnologia podia ser utilizada para resolver problemas reais.

Essa curiosidade levou-me a aprender programação sozinho.

Não tinha alguém a mostrar-me cada etapa do processo. Precisei de pesquisar, experimentar, cometer erros e procurar soluções por conta própria.

Muitas vezes, passava horas a tentar resolver um problema que alguém com mais experiência provavelmente resolveria em poucos minutos. Construía alguma coisa, encontrava um erro, voltava atrás e tentava novamente.

O processo nem sempre foi fácil, mas cada problema resolvido aumentava a minha confiança.

Com o tempo, percebi que programar não significava apenas escrever código. Significava ter a capacidade de olhar para um problema e construir uma possível solução.

Foi aí que a tecnologia deixou de ser apenas uma curiosidade e passou a representar uma oportunidade.

Em Moçambique, crescemos habituados a várias limitações.

Muitas ferramentas internacionais não aceitam os nossos métodos de pagamento. Outras cobram em moedas estrangeiras, exigiam cartões internacionais ou simplesmente não foram construídas a pensar na realidade africana.

Ao mesmo tempo, existem poucas oportunidades locais para quem deseja trabalhar com tecnologia, criar produtos ou construir empresas digitais.

Durante muito tempo, a resposta para essa realidade foi procurar soluções estrangeiras ou aceitar que determinados serviços ainda não estavam disponíveis para nós.

Eu comecei a pensar de maneira diferente.

Em vez de perguntar apenas quais plataformas estrangeiras poderíamos utilizar, comecei a perguntar: Por que não podemos construir as nossas próprias soluções?

Não porque tudo o que vem de fora seja ruim, mas porque ninguém compreende os nossos problemas melhor do que quem os vive diariamente.

Foi essa forma de pensar que me aproximou do empreendedorismo.

Eu não comecei a empreender porque tinha muito dinheiro, uma grande equipa ou investidores preparados para financiar as minhas ideias.

Comecei porque identifiquei problemas que poderiam ser resolvidos através da tecnologia.

Uma das maiores dificuldades da minha jornada foi exatamente a falta de recursos.

Construir uma empresa já é difícil. Construí-la num mercado com poucas oportunidades, acesso limitado ao financiamento e um ecossistema tecnológico ainda em desenvolvimento torna o desafio ainda maior.

Muitas vezes, não havia dinheiro para contratar todas as pessoas necessárias, adquirir todas as ferramentas desejadas ou executar uma ideia da maneira ideal.

Isso obrigou-me a aprender mais.

Quando não conseguia contratar alguém, precisava de compreender como fazer.

Quando uma ferramenta era inacessível, precisava de encontrar uma alternativa.

Quando uma decisão não funcionava, precisava de analisar o erro e continuar.

Aprendi a trabalhar com aquilo que estava disponível.

Aprendi que falta de recursos e falta de possibilidades não são necessariamente a mesma coisa.

Talvez os recursos determinem a velocidade, mas não precisam determinar se vais ou não começar.

A primeira versão de uma ideia pode ser simples.

O primeiro design pode ser feito no Canva.

A primeira divulgação pode acontecer nos status do WhatsApp.

O primeiro produto pode estar longe daquilo que imaginaste.

O importante é que exista algo real para testar, melhorar e colocar nas mãos das pessoas.

Foi essa mentalidade que me permitiu sair da posição de alguém que apenas tinha ideias e tornar-me alguém que constrói.

Hoje, sou fundador e CEO da Lojou, uma plataforma criada para facilitar as vendas digitais e ajudar empreendedores a construírem os seus negócios online.

Também sou fundador e CEO da Kilax, uma plataforma focada em retenção, análise de VSLs e conversão de visitantes em clientes.

Além disso, sou cofundador e CTO da ConBlue, onde sou responsável pela direção tecnológica de uma plataforma que aproxima vendedores moçambicanos do mercado europeu, começando por Portugal.

Esses projetos representam etapas diferentes da minha jornada, mas partilham a mesma origem: a vontade de utilizar tecnologia para reduzir barreiras e criar oportunidades.

Não quero ser conhecido apenas como alguém que cria plataformas.

Quero ser alguém que ajuda a provar que também é possível construir empresas tecnológicas relevantes em Moçambique.

O meu trabalho como CEO não se resume a ter ideias ou tomar decisões. Significa carregar a responsabilidade de definir uma direção, compreender o mercado, ouvir os utilizadores, orientar a equipa e garantir que aquilo que estamos a construir resolve um problema verdadeiro.

Como CTO, a responsabilidade é diferente, mas igualmente importante. Preciso de transformar uma visão de negócio numa estrutura tecnológica funcional, simples para o utilizador e preparada para crescer.

Essas responsabilidades ensinaram-me que construir um produto é muito mais do que programar. É necessário compreender pessoas.

É necessário perceber por que elas utilizam uma solução, por que abandonam, por que confiam e por que decidem pagar.

Um produto tecnicamente avançado pode fracassar se ninguém compreender o seu valor. Por outro lado, uma solução inicialmente simples pode crescer quando resolve um problema real e chega às pessoas certas.

Também aprendi que a tecnologia, sozinha, não constrói uma empresa. É preciso distribuição, comunicação, posicionamento, atendimento, estratégia e execução.

Essa foi uma mudança importante na minha forma de pensar.

No início, eu acreditava que criar um bom produto seria suficiente. Com o tempo, percebi que construir é apenas uma parte da jornada. É preciso mostrar, explicar, vender e fazer com que as pessoas experimentem aquilo que foi construído.

Ainda enfrento dificuldades. Existem dias em que os resultados demoram a aparecer. Existem decisões erradas, limitações financeiras, problemas técnicos e momentos em que a responsabilidade parece maior do que os recursos disponíveis.

Também existe a pressão de construir num mercado em que muitas pessoas ainda confiam mais rapidamente numa plataforma estrangeira do que numa solução criada localmente.

Mas eu compreendo essa realidade. Confiança não se exige. Constrói-se.

Precisamos provar o nosso valor através do produto, da experiência, dos resultados e da consistência.

É exatamente isso que procuro fazer.

A minha história ainda não é a história de alguém que chegou ao destino. É a história de alguém que decidiu caminhar mesmo sem conhecer todo o percurso.

Ainda tenho muito para aprender, melhorar e construir. Ainda existem erros que vou cometer e obstáculos que não consigo prever.

Mas a direção está clara.

Quero ajudar a construir um ecossistema tecnológico mais forte em Moçambique e em África.

Quero que os jovens moçambicanos percebam que a tecnologia não serve apenas para consumir produtos criados noutros países. Também podemos criar. Podemos construir plataformas. Podemos fundar empresas. Podemos desenvolver soluções para os nossos mercados e, posteriormente, levá-las para outros países.

África possui problemas reais, mas também possui talento, conhecimento e pessoas capazes de construir respostas.

O nosso continente não deve ser visto apenas como consumidor de tecnologia. Podemos tornar-nos produtores, exportadores e líderes de inovação.

Essa é a ambição que orienta a minha jornada. Não quero construir apenas para Moçambique porque acredito que somos incapazes de competir fora. Quero começar em Moçambique porque conheço esta realidade e acredito que soluções relevantes podem nascer aqui.

Começar localmente não significa pensar pequeno. Significa resolver profundamente um problema próximo e utilizar esse conhecimento para alcançar mercados maiores.

Se existe algo que a minha caminhada me ensinou, é que ninguém precisa ter todas as condições antes de começar.

É necessário ter coragem para dar o primeiro passo, humildade para aprender e disciplina para continuar quando o entusiasmo inicial desaparecer.

Eu comecei por curiosidade. Continuei porque descobri que conseguia construir. E transformei essa capacidade numa missão: criar tecnologia que resolva problemas, abra mercados e gere oportunidades.

Sou Joaquim Chuquela. Sou programador, empreendedor, fundador e CEO da Lojou e da Kilax, e cofundador e CTO da ConBlue.

Mas, acima de todos esses títulos, sou alguém que acredita que Moçambique também pode construir tecnologia relevante para África e para o mundo.

E estou apenas a começar.